Picos(PI), Terça-Feira, 23 de Maio de 2017
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Brasil vive pior epidemia de HIV desde 1981, em Picos dados apontam diminuição
Em 2014 foram registrados 41 casos de pessoas com HIV, em 2015 o centro notificou 32 casos, já em 2016 foram 25 pessoas diagnosticadas com o vírus. Em 2017, até o mês de março já foram registrados cinco casos
Daniela Meneses - 17/04/2017

Reprodução
O CTA de Picos realiza o teste gratuitamente

Os casos de infecção por HIV voltaram a aumentar no Brasil, principalmente entre os jovens: subiu 11% na faixa etária de 15 a 24 anos. É a pior epidemia desde 1981, de acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV (Unaids).

Entretanto, dados do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), em Picos os registros apontam uma pequena diminuição entre os anos de 2014 e 2016.

Os registros do CTA de Picos incluem até 42 municípios da região.  A coordenadora do órgão, Ozeane Vieira, conta que no ano de 2014 foram registrados 41 casos de pessoas com HIV, em 2015 o centro notificou 32 casos, já em 2016 foram 25 pessoas diagnosticadas com o vírus. Em 2017, até o mês de março já foram registrados cinco casos.

Os profissionais de Saúde que atuam no centro realizam campanhas de prevenção contra a doença rotineiramente. A última aconteceu no mês de fevereiro, no período de carnaval. Os testos feitos no CTA são gratuitos e qualquer pessoa que tem a vida sexual ativa deve fazer.

O médico infectologista, Clayton Barros, afirma que o aumento, de uma forma geral, pode estar relacionado à despreocupação dos jovens em se prevenir. Ele conta que, por ter um tratamento eficaz atualmente, as pessoas perderam o medo do contágio.

“Acredito que esse crescimento na população jovem está relacionado a uma despreocupação na questão dos medicamentos que hoje são muito eficazes. Antigamente a gente batia o olho e sabia visualmente se a pessoa tinha o problema, mas com as medicações, as pessoas aparentemente estão bem de saúde, inclusive os portadores do vírus. Então cai aquele medo e as pessoas acabam tendo relações desprotegidas”, opinou o Clayton Barros.

Ele fala ainda que, atualmente há pouco investimento do Governo em relação às propagadas. “Antigamente as informações eram mais duras e mais frequentes, hoje a gente pouco ver orientações por parte do governo para as pessoas em relação a doença”.

O médico conta ainda que a expectativa de vida de pessoas que vivem com o vírus da Aids aumentou, desde que o tratamento seja feito de forma correta. Ele conta que não acredita que um paciente possa ultrapassar a expectativa de 15 ou 20 anos com a doença.

A Aids é o estágio mais avançado da doença que ataca o sistema imunológico. Como esse vírus ataca as células de defesa do corpo, o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose ou câncer. O próprio tratamento dessas doenças fica prejudicado.

AS FASES DA DOENÇA:

É possível uma pessoa portar o vírus durante anos e não perceber, isso acontece quando o HIV está na fase inicial e os sintomas ainda são tímidos, nesse momento dizemos que ele é apenas portador do vírus e ainda não está com a Aids, isso porque a doença ainda não se manifestou no organismo. De acordo com o médico infectologista, existe ainda a possibilidade de não haver contágio para o parceiro nessa fase inicial, devido o número e a atuação do vírus ser menor.

Nessa primeira fase, também é possível que o contágio da mãe para o bebê seja pequeno. “Mesmo sendo uma portadora, a mãe pode não transmitir o vírus para a criança, ainda que a grávida não apresente os sintomas, o medicamento é dado a ela para que a possibilidade de infecção da criança seja menor, mas não é uma garantia. O medicamento é dado para o bebê quando nasce e a amamentação deve ser suspensa, pois o leite da grávida também pode contaminar a criança”, explica Clayton Barros.

O infectologista coloca ainda que quando a pessoa infectada está fazendo o tratamento de forma regular e quando há um acompanhamento médico, a probabilidade de transmissão é menor, isso porque o medicamento pode estabilizar a carga viral do paciente.

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